Minutos antes de subir ao palco do Village Underground, em Londres, nesta última sexta (10), a cantora Duda Beat refletiu sobre identidade, influências e tópicos sensíveis que vai explorar em seu novo álbum, que deve ser lançado no final deste ano.

O show da cantora marcou o início de uma série de shows pela Europa, com passagens por Berlim, Amsterdam e Paris. O repertório trouxe diferentes fases de sua carreira, com destaque para os lançamentos mais recentes, com canções do Tara e Tal (2024) e o EP Esse Delírio (2025), além de versões em português de faixas conhecidas como Messy, de Lola Young, e Chihiro, de Billie Eilish.

Foi justamente nesse equilíbrio entre reinvenção e assinatura própria que a artista refletiu sobre o que torna seu som tão singular. “Acho que é o meu sotaque, a minha melodia, que quando você escuta, fala: ‘É a Duda Beat cantando’. Isso é identidade na voz. Fico muito feliz de conseguir passar isso para o mundo da forma que eu faço”, disse.

Essa identidade forte também permitiu que a artista pernambucana transitasse por diferentes gêneros ao longo da carreira, misturando ritmos brasileiros como piseiro, brega, forró e funk a elementos latinos e batidas eletrônicas: “A gente só vive uma vida, e gosta de tantos tipos de música, então por que eu faria só um gênero? Tudo que eu gosto de ouvir eu gosto de fazer também”, afirmou.

Nesse universo musical sem fronteiras, as influências britânicas também têm um papel importante. Uma se destaca de forma especial: a banda Arctic Monkeys. Duda contou que a banda tem sido uma presença constante em sua rotina, em especial a música 505, e brincou ao dizer que conhecer Alex Turner segue sendo um sonho.

Início da carreira

Embora tenha se consolidado como uma das vozes mais marcantes do pop alternativo brasileiro, a artista não enxerga sua trajetória como resultado de um único ponto de virada. Para ela, a carreira foi sendo construída a partir de vários momentos decisivos. Ainda assim, um deles permanece especialmente importante: o retiro de silêncio que fez antes de lançar sua carreira.

“Acho que não existe tanto assim um momento decisivo. Na verdade, são vários momentos em que você pensa: ‘Poxa, estou indo para o lugar certo, é isso que eu quero fazer’. Mas acho que o mais decisivo para mim foi quando eu fui para o retiro de silêncio. Passei dez dias em silêncio e saí de lá com a certeza de que eu ia ser artista, que eu ia lançar um disco, que eu ia dividir minha história, que eu ia conseguir contar para o mundo tudo o que eu passei, tudo o que eu vivi.”

Novas temáticas

Agora, a cantora se prepara para ampliar esse universo emocional. O próximo álbum deixará de olhar apenas para o amor romântico para explorar sentimentos mais amplos, como amizade, depressão, melancolia e o luto dos términos.

“Pela primeira vez, eu vou falar sobre outros sentimentos além do amor romântico. Tem uma música em que eu falo sobre a minha melhor amiga, sobre como é importante ter alguém com quem você pode contar, ter momentos felizes, tristes, ter alguém com quem você possa virar a noite conversando”, contou.

A cantora também abordará o término recente com o produtor Tomás Tróia, com quem estava junto há 11 anos: “Tenho muita sorte de que o meu ex é meu amigo e produtor musical. Mas é óbvio que todo término tem o seu luto. Então sinto que são vários sentimentos que eu nunca tinha abordado ainda, e agora chegou o momento. Por isso é tão especial”, revelou.

Depois de construir sua assinatura artística a partir de canções sobre dor de amor e catarse afetiva, Duda agora parece pronta para expandir esse universo, abraçando emoções mais amplas e mais complexas sem abrir mão da voz e da sensibilidade que a tornaram uma das artistas mais singulares de sua geração.

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