Os atores Ben Affleck, 53, e Matt Damon, 55, estão sendo processados por dois policiais de Miami que alegam ter sido difamados pelo filme “Dinheiro Suspeito”.
O longa, produzido pela Artists Equity – empresa fundada pelos astros de Hollywood -, acompanha dois agentes que descobrem um esquema de corrupção dentro da Delegacia de Polícia de Miami-Dade após encontrarem US$ 20 milhões ligados a um cartel de drogas.
Segundo documentos obtidos pela revista Entertainment Weekly, os policiais Jason Smith e Jonathan Santana, integrantes do escritório do xerife de Miami-Dade – órgão equivalente a uma força policial regional nos Estados Unidos -, moveram uma ação judicial contra a Artists Equity e a Falco Productions, uma das empresas responsáveis pela produção do filme.
Embora os agentes não sejam citados nominalmente na trama, o processo sustenta que os personagens tenente Dane Dumars, interpretado por Matt, e sargento-detetive J.D. Byrne, vivido por Ben, teriam sido inspirados diretamente nos dois policiais da vida real.
De acordo com a ação, a representação dos personagens teria causado “danos substanciais às reputações pessoais e profissionais” dos agentes, já que o longa e seu material promocional “os associam a irregularidades, decisões questionáveis e comportamento antiético em conexão com uma operação policial genuína”.
Os policiais apresentaram acusações de difamação e pedem indenização por sofrimento psicológico supostamente causado de forma intencional.
Segundo os autos, “Dinheiro Suspeito” teria sido inspirado em um episódio ocorrido em junho de 2016, quando Jason Smith e Jonathan Santana apreenderam mais de US$ 21 milhões durante uma operação.
Por isso, os advogados dos agentes argumentam que “o uso, pelo filme, de detalhes específicos e não genéricos da investigação de 29 de junho de 2016, combinado com o cenário em Miami-Dade e a representação de uma equipe de narcóticos, cria uma associação razoável entre os policiais retratados e os autores da ação”.
A ação acrescenta ainda cenas em que os personagens ignoram protocolos policiais. Em um dos momentos mencionados no processo, o personagem de Ben mata um agente da DEA, agência federal antidrogas dos Estados Unidos.
O longa começa com um aviso afirmando que a produção foi “inspirada em fatos reais”. Porém, os autores da ação alegam que, “tirando o fato de que houve uma grande apreensão, os eventos retratados no filme não aconteceram”.
Segundo o processo, familiares e colegas dos policiais passaram a insinuar que eles “devem ter usado dinheiro apreendido para concluir obras residenciais, comprar carros e lanchas, e pagar escolas particulares para os filhos” após assistirem ao filme.
Os advogados sustentam que isso demonstraria que “o público está associando a Delegacia de Polícia de Miami-Dade e os autores da ação às representações corruptas mostradas na produção”.
De acordo com os autos, os policiais enviaram anteriormente uma notificação extrajudicial às produtoras detalhando os supostos elementos difamatórios da obra e exigindo que elas “cancelassem o lançamento” do filme em dezembro de 2025.
As empresas teriam respondido apenas após a estreia do longa, em janeiro deste ano, argumentando que “as preocupações não têm fundamento porque o filme não faz qualquer implicação de que os autores tenham cometido irregularidades”.
Os policiais pedem indenização por danos morais, pagamento de honorários advocatícios e uma “retratação pública”, incluindo “a inclusão de um esclarecimento” no filme.
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