O ator Pedro Neschling, 43, compartilhou um relato sobre sua experiência com o diagnóstico tardio de surdez. Filho da atriz Lucélia Santos e do maestro John Neschling, o artista afirmou que passou anos sem receber a orientação adequada para iniciar um processo de reabilitação auditiva.

Durante participação no programa Sem Censura, comandado por Cissa Guimarães, Pedro explicou que o primeiro médico que o acompanhou minimizou a condição e não o aconselhou a usar aparelhos auditivos.

“Eu fui mal diagnosticado pelo otorrino na época, que me disse que, como eu já tinha adaptações sociais suficientes para viver minha vida, eu não precisava colocar aparelho. Então eu achava que aquela dificuldade que eu vivia, aquele cansaço que eu sentia, aquela paranoia que eu tinha de estar o tempo inteiro olhando para os lados para entender tudo eram parte de mim, uma parte normal que todo mundo tinha”, começou ele.

O astro revelou que foi apenas aos 30 anos que um outro especialista lhe mostrou o quanto a perda afetava sua rotina.

“Depois de ter feito novelas, peças de teatro, já estar trabalhando desde os 18, que um otorrino virou para mim e falou: ‘Olha, é um milagre você ter uma vida social e profissional com a perda auditiva que você tem. Sai daqui e vai imediatamente testar um aparelho que você vai ver como é que tua vida vai mudar’. E aí eu botei o aparelho pela primeira vez.”

Pedro acrescentou que a experiência pessoal o motivou a falar publicamente sobre o assunto, com o objetivo de conscientizar outras pessoas.

“Você só sabe o que você não tem depois que você passa a ter. Então eu não tinha como saber o que eu não escutava antes de começar a escutar. E isso mudou muita coisa para mim. Foi natural que eu começasse a falar [sobre perda auditiva] porque hoje em dia eu busco disseminar essa informação, esse conhecimento. Quero acabar com o estigma de que a surdez é um problema ou que qualquer deficiência seja uma carta condenatória”, pontuou.

O artista disse acreditar que a perda auditiva lhe trouxe um ensinamento inesperado.

“Eu falo sempre que a surdez me ensinou a ouvir. Eu tenho uma característica de gostar de conversar com as pessoas, porque, para mim, escutar é um exercício. Preciso estar concentrado no que você está dizendo. Então a surdez me ensinou a ouvir.”

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