O diretor Steven Spielberg, 79, afirmou que prefere observar os desdobramentos da inteligência artificial antes de formar uma opinião definitiva sobre a tecnologia. O cineasta explicou que enxerga o potencial da IA em áreas como medicina e educação, mas admitiu ser resistente ao seu uso como substituta do trabalho criativo humano.

Em participação no podcast IMO, o astro por trás de clássicos como “Tubarão” (1975), “E.T. O Extraterrestre” (1982) e “Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros” (1993) relatou que acompanha o avanço da tecnologia com cautela.

“Estou meio que resguardando meu posicionamento sobre a IA até ver realmente como ela está sendo usada”, afirmou.

Spielberg, considerado o diretor de maior bilheteria da história do cinema, declarou que a tecnologia tem potencial para auxiliar na busca por soluções médicas e ampliar possibilidades de aprendizagem. No entanto, ele admitiu preocupação com o uso crescente da ferramenta nos processos criativos da indústria audiovisual.

“Onde eu não gosto da IA é quando ela ocupa um lugar, quando há uma cadeira vazia na mesa de roteiristas, seis escritores e uma cadeira vazia com um computador na frente, sendo o sétimo roteirista”, disse.

O vencedor do Oscar não acredita que ferramentas tecnológicas possam substituir as dimensões subjetivas da criação artística.

“Não estou disposto a substituir isso, porque realmente não acredito em sua senciência. Não acredito que exista substituto para a alma. Não acho que isso seja um algoritmo que possa ser ‘inventável’, se é que essa palavra existe”, pontuou.

O diretor acrescentou que o conceito de máquinas reivindicando sensibilidade comparável ou superior à humana entra em conflito com sua própria visão de mundo.

“A ideia de um computador que acredita sentir mais do que nós vai de encontro à forma como fui criado e à maneira como pretendo exercer meu trabalho de produzir e dirigir no futuro”.

Apesar das reservas, Spielberg disse considerar legítimo o uso da inteligência artificial em tarefas operacionais e de apoio à produção.

O astro declarou que a tecnologia pode facilitar etapas práticas do processo cinematográfico, desde que permaneça como ferramenta complementar.

“Se a IA quiser me ajudar a encontrar locações, ótimo. Isso economiza muito trabalho. Mas não me diga que eu não tenho o vilão certo em um filme. Não me diga como escrever o diálogo deste personagem. Não me diga para onde a câmera deve ir. Use a IA como ferramenta, mas não como a palavra final em relação a qualquer coisa criativa. É aí que eu traço o limite”, completou.

Visit Bang Premier (main website)