Uma reportagem da revista norte-americana Variety avalia que uma eventual vitória do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais poderia “colocar em risco” a ascensão do cinema brasileiro. Em texto sobre o Festival do Rio, a publicação especializada em entretenimento abordou o reconhecimento internacional que o audiovisual do país alcançou nos últimos anos, citando filmes como “Ainda Estou Aqui” (2024) e “O Agente Secreto” (2025).
A Variety traça um paralelo entre o bom momento do cinema brasileiro e as dificuldades enfrentadas pelo setor durante o governo do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022. De acordo com a publicação, as políticas de incentivo retomadas na gestão Lula (PT) têm um papel importante no cenário atual.
“A renovação da indústria cinematográfica brasileira é resultado das políticas públicas de Lula. O presidente é talvez o que mais deu atenção à cultura e às artes na história do país, tendo promovido sessões regulares de filmes brasileiros na residência oficial [Palácio da Alvorada] e investido pesadamente no setor cinematográfico após quatro anos de governo de Jair Bolsonaro”, diz um trecho da reportagem.
A revista alega que o futuro do cinema nacional seria “sombrio” diante de uma eventual presidência de Flávio, que, de acordo a reportagem, “promete reproduzir praticamente todas as medidas do pai e aprofundar algumas delas”.
A produtora Paula Cosenza, do selo audiovisual Trema, afirmou à Variety que o retorno do grupo político que governou o país entre 2019 e 2022 seria um cenário preocupante.
“A possível volta ao poder do mesmo grupo que governou o país entre 2019 e 2022 é uma catástrofe. O candidato de extrema-direita questiona a legitimidade da criação artística, do conhecimento acadêmico, da ciência e do livre exercício da imprensa, tornando-se uma ameaça concreta à democracia”, opinou ela.
O cineasta Marcelo Gomes concordou: “É uma indústria reconhecida internacionalmente e que colheu vários prêmios importantes nos últimos anos. Uma mudança para um governo que não valoriza a cultura pode colocar tudo isso em risco.”
Apesar das preocupações apontadas pela reportagem, Flávio terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. O senador, que disputará o segundo turno em 25 de outubro, defende mudanças nas leis de incentivo à cultura, mas ainda não apresentou propostas específicas para o setor cinematográfico.
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