A modelo e ativista Luiza Brunet, 64, fez um relato forte sobre uma infância marcada por violências. A ​e​strela abriu o coração sobre momentos dolorosos vividos dentro de casa, protagonizados especialmente por seu pai, e revelou ter testemunhado várias agressões à sua mãe.

Durante participação no quadro Calma, Que Eu Explico, comandado pela professora e influenciadora Cíntia Chagas, 43, Luiza relembrou os episódios mais impactantes de sua infância.

“Eu estudei só até os 11 anos de idade. Eu frequentei a escola até os 11 anos de idade. Nasci na roça, no interior do Mato Grosso do Sul, e comecei a assistir em casa muita violência; violência doméstica regular. Eu tinha um pai desempregado, alcoólatra e tinha problemas mentais, que não eram vistos como um problema, não dessa magnitude, de ser uma doença. E a minha mãe era muito agredida o tempo inteiro, de várias formas, principalmente agressão física.”

Um dos períodos mais chocantes ocorreu quando sua mãe decidiu deixar o casamento para escapar da violência doméstica. Luiza, então com apenas 11 anos, passou a trabalhar como funcionária doméstica.

“Minha mãe resolveu acabar com essa violência, ela colocou os filhos em um ônibus, voltou pro subúrbio do Rio de Janeiro, e foi ali que eu tive a sorte, ou a não sorte, a infelicidade de trabalhar na casa de família com 11 anos de idade. E nessa casa de família eu sofri um abuso sexual de uma pessoa da casa. Eu fui invadida, meu corpo foi invadido por uma pessoa adulta. E ali já começam as violências, não só a violência assistida quando era criança, mas o fato de ter o seu corpo invadido. E eu acabei voltando pra casa, eu não tive escolha.”

Ao ser questionada sobre como construiu uma carreira de sucesso em meio a tantos obstáculos, Luiza explicou que tudo aconteceu de forma orgânica.

“Eu nunca imaginei que fosse fazer isso. Eu queria ser cabeleireira, meu sonho era ser cabeleireira, mas eu acabei conhecendo um modelo da época, e ele me levou para conhecer um estúdio. E chegando lá, o fotógrafo que fazia book de modelo, ele insistiu muito que eu fizesse. Então foi assim, tudo muito orgânico, muito rápido. E a minha ascensão foi muito rápida. Logo em seguida chegou a Xuxa [Meneghel], e a gente fazia a loira morena; uma morena com ascendência indígena, a Xuxa alemã, e a gente conseguiu se sobressair. E nos tornamos duas mulheres muito conhecidas do Brasil.”

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