O príncipe Harry, 41, afirmou que o erro que cometeu ao usar um uniforme nazista em uma festa à fantasia o tornou uma pessoa mais consciente no combate ao antissemitismo.

O filho mais novo do rei Charles III se envolveu em uma grande polêmica em 2005, quando tinha 20 anos, após ser fotografado usando uma braçadeira com a suástica nazista durante um evento cujo tema era “colonizador e originário”. O episódio gerou forte repercussão no Reino Unido e levou o integrante da família real britânica a se retratar publicamente na época.

Agora, o duque de Sussex voltou a mencionar o caso em um artigo no qual critica o crescimento do antissemitismo e da islamofobia.

No texto, publicado pela revista New Statesman, sob o título “My fears for a divided kingdom” [“Meus temores de um reino dividido”, em tradução livre], Harry declarou ter aprendido com os erros do passado.

“Estou ativamente consciente dos meus próprios erros do passado – ações inconsequentes pelas quais me desculpei, assumi responsabilidade e aprendi com elas. Essa experiência reforça minha convicção de que a clareza importa agora mais do que nunca, em um momento em que a confusão e a distorção da verdade estão causando danos reais – mesmo quando falar de forma incisiva não vem sem consequências. Isso exige responsabilidade de todos nós”, começou o nobre.

O príncipe, que mora na Califórnia com a esposa, Meghan Markle, e os dois filhos do casal, Archie e Lilibeth, afirmou que sentiu necessidade de se pronunciar porque o silêncio possibilita que “o ódio e o extremismo prosperem sem controle”.

Harry também deixou claro que sua disposição para combater injustiças não muda em razão do país onde reside atualmente.

“Ao longo dos últimos anos, falei sobre as consequências de um mundo em que a indignação cresce mais rápido do que a humanidade – onde medo e separatismo são amplificados mais rapidamente do que a verdade, e onde as pessoas são reduzidas facilmente a categorias, identidades ou lados opostos. O que me preocupa agora é como essa mesma distorção moral está tomando conta de partes do Reino Unido de forma perigosa.”

Ele continuou: “Em todo o país, estamos vendo um aumento profundamente preocupante do antissemitismo. Comunidades judaicas – famílias, crianças, pessoas comuns – estão sendo levadas a se sentir inseguras nos lugares que chamam de lar. Isso deveria nos alarmar, mas também nos unir. Porque o ódio direcionado a pessoas pelo que elas são ou pelo que acreditam não é protesto. É preconceito. Casos recentes, incluindo episódios de violência fatal em Londres e Manchester, tornaram isso ainda mais evidente e preocupante.”

Harry também pediu que manifestações políticas sejam conduzidas sem ataques a grupos religiosos ou comunidades específicas.

“Se realmente queremos enfrentar isso, precisamos ser honestos sobre as condições que permitem esse crescimento – e deixar claro para onde a revolta deve ser direcionada e onde ela jamais pode recair. Quando a raiva é voltada contra comunidades – sejam judaicas, muçulmanas ou qualquer outra -, ela deixa de ser um pedido de justiça e se transforma em algo muito mais corrosivo.”

O príncipe afirmou ainda que a preocupação com os conflitos em Gaza, no Líbano e em outras partes do Oriente Médio é legítima, mas alertou que protestos podem acabar sendo contaminados pelo extremismo.

“Essas duas realidades estão sendo perigosamente embaralhadas. Vimos como protestos legítimos contra ações de governos no Oriente Médio coexistem com hostilidade contra comunidades judaicas dentro do próprio país – assim como também vimos críticas a essas ações serem simplesmente descartadas ou distorcidas. Nada – seja a crítica a um governo ou a realidade da violência e destruição – pode justificar hostilidade contra um povo inteiro ou uma fé.”

Ao encerrar o texto, Harry fez um apelo contra todas as formas de preconceito.

“Não podemos responder à injustiça com mais injustiça. Se fizermos isso, não encerramos o ciclo, apenas o estendemos. A única forma de quebrá-lo é se recusar a transmiti-lo adiante. Isso significa ser claro: combater o antissemitismo onde quer que ele apareça, reconhecendo ao mesmo tempo que a islamofobia e todas as formas de racismo nascem da mesma fonte de separatismo. Esses problemas precisam ser enfrentados com a mesma determinação. Também significa condenar a enorme perda de vidas inocentes sem hesitação, mas com cuidado e responsabilidade.”

Visit Bang Premier (main website)