O jornalista britânico Louis Theroux, 55, afirmou que criadores de conteúdo ligados à “machosfera” – universo digital que faz parte da cultura “red pill” – estariam “se aproveitando de homens jovens” e contribuindo para a disseminação de discursos perigosos.

O novo documentário da Netflix, “Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera”, aborda a expansão do movimento que defende a submissão feminina, a supremacia do patriarcado e flerta com discursos extremistas.

O jornalista, que entrevistou representantes do fenômeno, como HSTikkyTokky e Sneako, afirmou que teve contato com esse tipo de conteúdo por meio dos próprios filhos.

“Eu cheguei a esse conteúdo por meio dos meus filhos. Tenho três meninos e perguntei: ‘O que vocês estão vendo?’ E era Andrew Tate”, revelou ele, em referência ao influenciador conhecido por conteúdos controversos sobre masculinidade.

Em entrevista à People, o jornalista explicou que esses criadores operam com estratégias bem definidas de comunicação.

“Você precisa pensar nessas pessoas como representantes de uma estratégia de mídia específica, fazendo transmissões ao vivo de oito a dez horas por dia, criando conteúdo sem parar. Parte disso é sincera e genuína, outra parte é encenada, mas esses criadores estão em um ciclo de feedback contínuo com o público, ajustando constantemente o conteúdo para ver o que gera engajamento e adaptando seu comportamento de acordo.”

Louis também relatou que muitos influencers adotam uma postura deliberadamente performática durante as transmissões.

“O personagem principal do documentário, HStikkytokky – cujo nome verdadeiro é Harrison Sullivan – costuma ser abertamente ofensivo ou provocador quando está transmitindo, tentando mostrar ao público que está um passo à minha frente. Porém, quando não está ao vivo, ele responde às minhas perguntas de outra forma. É mais comedido, sincero e um tanto eloquente. Muito menos performático.”

O comunicador disse que é fundamental compreender o alcance de conteúdos como os expostos em seu filme.

“Estamos mostrando às pessoas o quanto essa nova cultura midiática é disseminada. Devemos expor e estar atentos a qualquer um que desvalorize e desrespeite as mulheres. Mas, além disso, esses caras estão se aproveitando de homens jovens, cultivando inseguranças. Acho que as coisas podem piorar antes de melhorar”, finalizou.

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